OUTUBRO ROSA: PREVENÇÃO CONTRA O CÂNCER DE MAMA

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Alunos da Escola Municipal Gersino Coelho constroem “Dicionário Interativo das Gírias Urbanas”

30 de jan de 2018 - Jornalismo

por Lorena Bárbara Santos Costa, professora da Escola Municipal Gersino Coelho.

Os aspectos socioculturais da favela proporcionam aos estudantes da escola pública reflexões para transformar a própria realidade. O projeto “É de Quebrada que Eu Vou” buscou compreender e valorizar a cultura popular como forma de expressão artística e ideológica-identitárias.

Por que a cultura presente nas favelas não é discutida nos currículos escolares da escola pública, tendo em vista que grande parte de seus integrantes é oriundo desses espaços? A partir desse questionamento, dei início ao projeto, sugerindo que os estudantes do 5º ano da Escola Municipal Gersino Coelho, de Salvador (BA), pesquisassem a origem dos seus bairros. Logo em seguida, trouxe para os nossos estudos a história das formações dos primeiros quilombos brasileiros, estimulando descobertas e percepções das semelhanças e diferenças desses dois espaços.

Já que para discutir sobre a cultura urbana em nossa sociedade era preciso também discutir a cultura do gueto, que sempre sofreu preconceito e discriminação, resolvi oportunizar aos alunos, que são atores sociais desse espaço, refletir sobre a própria realidade.

Durante a execução do projeto, discutimos a origem e formação das favelas no Brasil, em especial na Bahia, fazendo relação com o período colonial para compreender como foi o processo de escravidão e pós escravidão. Também buscamos entender os reais motivos de a maioria da população da favela ser negra, compreendendo também as manifestações culturais nos espaços marginalizados e os fatores positivos e negativos que compõe o espaço da favela.

Várias atividades foram desenvolvidas sobre esses e outros assuntos a fim de que os alunos pudessem compreender e valorizar sua cultura e o espaço em que vivem. Tivemos a oportunidade de ler diversos poemas do Sergio Vaz e articular com os temas estudados, além de conhecer através de vídeos e slides o trabalho do grupo Sarau da Onça, da periferia de Salvador, e a Universidade das Quebradas, no Rio de Janeiro, ambas que realizam um belíssimo trabalho de valorização da produção cultural com pessoas da periferia.

Para melhor compreender a diversidade cultural presente no gueto, realizamos uma mostra cultural sobre a Formação do Povo Brasileiro. Após várias pesquisas e estudos apresentamos sobre as etnias que deram origem a nossa identidade cultural.

Outra atividade muito significativa que realizamos foi a construção do “Dicionário Interativo das Gírias Urbanas”. Nessa atividade, fizemos uma pesquisa sobre as gírias faladas nas comunidades e seus respectivos significados.

Na atividade Formas de Brincar na Favela, os alunos realizarem pesquisas e debates sobre as diversas formas de brincar na favela e os direitos das crianças e dos adolescentes. Produzimos um livro com os nomes e o passo a passo das brincadeiras. Como muitas brincadeiras na favela são improvisadas com materiais acessíveis, resolvemos reconstruir no espaço escolar as diferentes maneiras de brincar e montamos com sucata brinquedos e brincadeiras, como andar no pé-de-lata, empinar pipas, futebol com bola de meia, amarelinha, pega-pega, vai e vem com garrafa pet, peteca de jornal, etc.

A forma de brincar pelas crianças da favela também denota a construção da cultura. É através da forma de brincar que a criança contextualiza e assemelha as ações e regras sociais e, em especial, as do local em que estão inserida. O espaço da rua, os becos e as quebradas geralmente são os lugares em que a criança da favela tem disponível para experimentar as normas que estão submetidas e, assim, a partir do jogo simbólico construir e reconstruir regras para exercer seu papel de cidadão.

Já ao estudarmos sobre a expressão da cultura do gueto, escolhemos a cultura hip hop por ser uma expressão forte na favela. Estudamos diversas letras de rap, analisamos o discurso presente e estabelecemos uma relação com o nosso dia-a-dia.

Trouxemos para a nossa escola, como convidados, um MC, um grafiteiro e um DJ. Os alunos tiveram a oportunidade de realizar uma entrevista para conhecer melhor a cultura hip hop. O dia da entrevista sem dúvida merece destaque, pois os convidados nos presentearam com várias lições de vida. Falaram das dificuldades de nascer, crescer e viver na favela e do preconceito enfrentado no dia a dia. Depois das entrevistas, os convidados realizaram um grande show para toda a comunidade escolar.

Após meses de estudos sobre os aspectos artísticos e culturais da favela, seus elementos geográficos e socioeconômicos, entre outros, sugeri aos alunos que construíssem com sucatas maquetes dos lugares em que moravam. O resultado foi maravilhoso. No dia da exposição, realizamos também a feira empreendedora da favela.

Artigo publicado originalmente no site Porvir.

Professores do Brasil _ A professora Lorena Bárbara Santos Costa foi uma das finalistas do 10º Prêmio Professores do Brasil, organizado pelo Ministério da Educação (MEC). Ela esteve em São Paulo, no dia 18 de dezembro, para a divulgação dos resultados. Saiba mais sobre o projeto da professora que foi o vencedor da etapa estadual da Bahia, na categoria Ensino Fundamental: Anos Iniciais (4º e 5º anos) e finalista. Clique aqui.