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Alunos da Escola Municipal Yves de Roussan comemoram conclusão de mais uma etapa da EJA

08 de jan de 2019 - Jornalismo

A Escola Municipal Yves de Roussan, localizada nas dependências da Comunidade de Atendimento Socioeducativo (CASE) do CIA, realizou, em 18 de dezembro, uma solenidade para marcar conclusão da etapa de estudos de 31 alunos, que cursavam a Educação de Jovens e Adultos (Tempo de Aprendizagem – TAP – III e V).

A Yves de Roussan é uma escola que atende aos adolescentes a quem fora atribuído autoria de ato infracional e que realizam atividades como cumprimento de medidas socioeducativas de internação. Há 11 anos, a instituição trabalhava apenas com projetos socioeducativos e depois da municipalização, passou a oferecer uma educação formal.

De acordo com a diretora Vanice Alves dos Santos, a missão é ressocializar estes alunos por meio de uma educação integral, investindo no desenvolvimento de habilidades e competências. “Esse evento vem culminar com tudo o que acreditamos e realizamos aqui na unidade. A Lei de Diretrizes de Base (LDB) rege que façamos com que eles tenham direito à educação e se reintegrem à sociedade, tornando-se cidadãos construtores e participativos. Hoje estou feliz, todo o corpo docente sente-se gratificado por termos cumprido boa parte dessa ação, mostrando para eles que é possível mudar através da educação”, disse.

A diretora destaca ainda que muitos desses meninos nunca imaginaram que um dia tivessem uma formatura. “Esse é o último momento deles dentro  de nossa escola, muitos nem sonhavam com essa oportunidade por isso estamos oferecendo a eles esse momento especial. Finalizamos esse ciclo, no qual eles passam do Fundamental II para o Ensino Médio e estamos felizes por proporcionar essa festa para eles”, explica.

Segundo a coordenadora técnica de educação da Fundação da Criança e do Adolescente da Bahia (Fundac), Maria Mercedes Agrícola Bomsucesso, esse momento é bastante significativo não só para os alunos da escola, mas para todos os adolescentes que estão internados nas unidades. “Muitos chegam aqui já evadidos da escola e ao adentrar na unidade socioeducativa é uma obrigatoriedade a frequência escolar, então eles vão começando a ir atrás das dificuldades que sentem para ler e escrever e com o tempo vão começando a se integrar nesse mundo educacional. Assim, percebemos suas próprias possibilidades e eles descobrem a capacidade que tem. Por isso digo que é um exemplo para outros adolescentes que aqui estão.”

O menor J.P.S, de 19 anos, fala sobre a felicidade de viver este momento. “Foi uma vitória para mim, porque estava perdido no mundo fazendo coisas erradas e vim parar aqui. Agora vejo como isso foi bom, por que encontrei pessoas que se interessam, se importam com a gente, não nos deixam perdidos. O tempo todo eles estão nos chamando para estudar, para a oficina, para a escola, e por isso hoje é um dia de realização em minha vida, estou muito feliz.”

Ele ainda revela que dentro da unidade conseguiu uma nova família. “Minha família mora muito longe e não teve condições de vir receber o diploma junto comigo, mas estou em companhia dos colegas, dos profissionais e professores que pra mim são como uma família”.

A aposentada Julia Ferreira Lima, de 64 anos, avó do interno G.U.L.S, de 16 anos, estava emocionada com a formatura do neto. Ela disse que percebe a mudança nas atitudes dele. “Ele teve que passar por tudo que passou lá fora para aqui dentro aprender ser outra pessoa. Hoje vejo meu neto transformado para o bem. Esses professores fizeram mudaram completamente a vida dele.”

A cerimônia contou com apresentação musical (ao som de voz, violão e carron) com o professor de música Esdras de Oliveira, acompanhado pelo Instrutor de percussão Cláudio Maia de Souza.