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Alunos do CMEI Almir Oliveira conhecem histórias das Abayomis no Julho das Pretas

02 de ago de 2018 - Jornalismo

Alunos do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Almir Oliveira, localizado no bairro de Mussurunga conheceram no mês de julho, a história das Abayomis: pequenas bonecas pretas feitas de pano e sem costura alguma, apenas com nós ou tranças. Isso foi possível através de uma atividade intitulada Julho das Pretas, idealizada pela professora Iracema Silva, com apoio das Auxiliares de Educação Infantil (ADIs) Viviane Santiago e Roseni Soares, bem como da coordenadora pedagógica Gabriela Moreira.

O nome Abayomi é de origem yorubá e quer dizer: aquela que traz felicidade ou alegria. A boneca abayomi foi criada para as crianças, jovens, adultos na época da escravidão pelas mulheres negras que as confeccionavam com pedaços de suas saias, único pano encontrado nos navios negreiros, para acalmar, aliviar a dor e trazer alegria para as crianças. Por isso, a professora e idealizadora do projeto, Iracema Silva, ressalta que, as bonecas são símbolos de resistência. “Ao mesmo tempo que são brinquedos, as Abayomis são objetos que representam nossa cultura e a manutenção das nossas raízes, explica.

Pensando nisso, durante a investigação que levou o nome de “Abayomi – meu presente para você”, os alunos demonstraram o interesse em aprender a fazer uma boneca Abayomi para presentear outra pessoa, como sinaliza Iracema Silva. “Quando a gente faz isso, de construir e doar para outra pessoa significa é como oferecer ao outro o que se tem de melhor, é um ato de nobreza. Significa transmitir carinho, amor, felicidade e tudo de melhor”, destaca.

A gestora da unidade de ensino, Cátia Simone Pena, enfatiza que a ação começou a ser pensada ainda no mês de maio. “No total, participaram das atividades todos os 37 alunos matriculados no grupo 3 da instituição e no final do mês realizamos a oficina ‘Nós e Tranças’, na qual as crianças e os familiares confeccionaram as Abayomis no dia da Família na Escola”, detalha.

As atividades, idealizadas a partir do diálogo com as crianças, foram realizadas durante os três meses, sempre duas vezes por semana, com contação de histórias, palestras sobre cuidados com os cabelos, sobre a importância da identidade e da representatividade, estética, dentre outras. No entanto, os trabalhos foram finalizados com a realização de uma oficina de tranças e penteados afros, ministrada por três moradoras da comunidade. Na ocasião, as crianças também falaram sobre suas histórias e experiências com os cabelos, explorando o autoconhecimento.

A professora Iracema Silva enfatiza que o trabalho com a diversidade e promoção da igualdade racial através da leitura de contos e histórias de origem africana, afro-brasileira e indígena. “Faço isso para que as crianças tenham a autoestima cada vez mais fortalecida, tenham orgulho de pertencer a um grupo étnico-racial, seja ele qual for, onde sua cultura e história sejam valorizada e respeitada”.