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Projeto que ajudou a reduzir evasão será levado para dez escolas

25 de jun de 2016 - Jornalismo

Por Thais Borges 

Nos cultos da Igreja Messiânica, a dona de casa Ana Marlene, 42 anos, não costuma usar turbante. A filha dela, Mariana, 9, também não. Quando a menina começou a estudar na Escola Municipal Parque São Cristóvão, aos 5 anos, estranhava ver professoras usando torsos e roupas que remetem à cultura africana na aula. Mas esse tipo de reação não tinha espaço na nova escola. Desde o projeto pedagógico – o Baobá, criado em 2002 pela diretora Jacilene Nascimento – até o mais recente, o Diversidade em Foco, lançado no ano passado, tudo é pensado para estimular a tolerância e o respeito entre os alunos, as famílias e a comunidade.

E tem dado tão certo que a iniciativa será aplicada em outras dez escolas da rede municipal, como um projeto piloto com apoio da Secretaria Municipal de Educação (Smed). “O projeto traz a comunidade para dentro da escola, resgata o menino que queria abandonar e os pais percebem que dirigir a escola não é só uma responsabilidade do gestor, mas também da comunidade”, diz Jacilene.

Mariana é um retrato disso. Da diretora, ela diz que chegou a ter medo – só por causa dos turbantes. “Achava que era coisa da religião dela e não entendia”, conta a estudante, hoje no 4º ano. E se hoje mãe e filha têm uma visão totalmente diferente do que tinham antes, é graças a esse tipo de atitude. Só este ano, Mariana já usou turbante duas vezes. Ana, a mãe, aprendeu a fazê-lo.

Oficinas

No Diversidade em Foco, as mães com filhos na escola também têm aulas, no mesmo horário das crianças. São oficinas de costura de roupas afros, bordado, modelagem, tranças, maquiagem étnica e turbantes, com o objetivo de empoderar as mulheres e resgatar símbolos de identidade e da cultura africana. A ideia foi adaptar um projeto que acontecia em terreiros de candomblé e, desde o ano passado, cerca de 50 mulheres participam das aulas, que acontecem no mesmo horário das aulas dos filhos.

Resultado? Segundo a diretora Jacilene Nascimento, o índice de evasão e repetência na escola localizada no Parque São Cristóvão, que sempre ficava em torno de 15% a 20%, passou a ser 2% desde que o projeto começou. “Hoje, a previsão é zerar. O projeto empodera a mãe, porque ela tem uma forma de ganhar o dinheiro dela, mas também melhora a qualidade de ensino, porque, se a mãe tá ali, então o menino também não falta, está ali todo dia”, conta Jacilene.

Oficina aumentou a participação dos pais na escola e reduziu a evasão (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Oficina aumentou a participação dos pais na escola e reduziu a evasão (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Transformação

Mariana não é dessas alunas que costumavam faltar aula. Segundo a mãe, sempre foi boa aluna. Mas, como dizem a própria família e os professores, a menina parece outra pessoa. Só este ano, já usou turbantes duas vezes – uma delas na festa de Dia das Mães da escola. “Acho muito bonito e faria de novo. Eles respeitam a minha religião e eu respeito a deles”.

Ana, por sua vez, já está escalada para ser instrutora das próximas mães que vierem a participar. Sabe fazer turbantes, coroas, vestidos, saiotes e roupas de orixá. “Sempre soube que era um trabalho ligado às religiões de matriz africana, mas não mudou meu interesse, porque sempre respeitei”.

Com a família da doméstica Geisa Lins, 27, a mudança foi grande. O filho Daniel, 9, colega de Mariana, nunca gostou de estudar. “Vinha para a escola à força”, lembra, referindo-se a quando o garoto começou a estudar lá, três anos antes. Daniel também não era comportado. Geisa cansou de receber reclamações das professoras porque o filho estava chamando algum colega de “chocolate” ou dizendo que a outra criança tinha “cabelo duro”.

O próprio Daniel admite, mas garante que mudou. “Eu ficava abusando na escola, era traquino com todo mundo. Colocava apelido nos colegas. Mas foram conversando comigo e eu parei. Também não falo da religião de ninguém, até porque um dia a gente pode entrar nessa mesma religião”, diz.

Daniel frequenta a igreja evangélica, como a mãe, Geisa. Os dois também moram em frente a um terreiro de candomblé, no Parque São Cristóvão. Quando ela soube das oficinas, decidiu participar. “Já sabia que eram roupas de candomblé, mas não vi problema nenhum. Sempre respeitei. Via a dificuldade que o pessoal do terreiro tinha, às vezes, para encontrar uma costureira, porque não é todo mundo que consegue fazer as roupas ou faz muito caro…”, lembra.

Renda 

Ela pegou tanto o gosto pela coisa, que já até vislumbra uma possibilidade de renda que nunca tinha imaginado antes. “Meu pai vai entrar com investimento para montarmos uma oficina juntos. Vou costurar roupas de candomblé”, diz.

Os ganhos na escola são tantos que o projeto vai ser difundido. Inicialmente será compartilhado com outras dez unidades e serão 300 participantes – 30 de cada escola, no curso que tem uma programação de cinco meses. Para participar, basta procurar a diretoria de cada unidade e se inscrever. Na Escola Parque São Cristóvão, o projeto deve ser permanente, mas com temporadas. Agora em julho, por exemplo, o encerramento dessas oficinas vai ser com uma feira, onde serão expostos e vendidos todos os produtos feitos pelas mães.