Estudantes da Rede Municipal criam propostas de combate ao Bullying

04 de out de 2019 - Jornalismo

Estudantes da Rede Municipal se reuniram no I Fórum Estudantil pela Cultura da Paz com alunos de instituições estaduais e particulares para juntos criarem ações de combate ao Bullying. Essa é uma ação do projeto #SEJABROTHER, iniciativa do Ministério Público (MP) que promove uma campanha publicitária para alertar a população, o poder público e os órgãos de controle social quanto à importância e necessidade de enfrentamento ao tema. Nos dias 1º e 2 de outubro, os jovens construíram propostas que serão transformadas em procedimento administrativo instaurado pelo MP, posteriormente encaminhadas aos órgãos competentes da administração pública para providência.

Cerca de 60% dos estudantes participantes do evento eram da Rede Municipal, eles mostraram que são protagonistas e têm interesse em propor como pensam as formas de trabalhar e desenvolver a paz. “A Secretaria Municipal da Educação considera que foi uma grande oportunidade a participação no I Fórum Estudantil. Os jovens precisam ter vez e voz no processo democrático, na construção de uma escola para todos. A cultura da paz se torna uma realidade em nossa escola quando todos entendem o papel e a importância de cada um. Eles precisam contribuir para um cenário que eles sonham”, declarou a diretora pedagógica da Secretaria Municipal da Educação (Smed), Joelice Braga, que representou o secretário Bruno Barral no evento.

Foi firmado um Acordo de Cooperação com a Smed, que se compromete a orientar as escolas da Rede Municipal de Salvador sobre a necessidade do planejamento de ações de mobilização contínua para Combate à Intimidação Sistemática (bullying) no projeto pedagógico de cada unidade escolar, na forma da Lei n° 13.185/2015, e colaborar com a produção de sequências didáticas e estratégias comunicacionais e de mobilização da comunidade escolar, visando mudança atitudinal.

De acordo com a coordenadora de inclusão e transversalidade da Smed, Jaqueline Araújo, para 2020 existem ações focadas para escolas do 6º ao 9º ano. “Considerando que já estamos no último trimestre do ano letivo, mas para o próximo ano a Secretaria tem ações focadas na temática, estimulando a realização de projetos e parcerias com instituições também especializadas na área em parceria com as universidades”, destacou Jaqueline.

A estudante da Escola Municipal Manoel de Almeida Cruz, Samile Lima, recorda que sofreu bullying na escola, ela disse que se sentia triste, mas procurava não ligar para os ataques. “Essas propostas vão ajudar muito na criação de políticas que serão aplicadas nas escolas. Eu era chamada de gorda, preta, eu ficava triste, registrava reclamação na diretoria, minha defesa era não ligar”, contou.

O aluno Thiago Soares, 8º ano da Escola Municipal Leovícia Andrade, sugeriu ações de conscientização dos alunos e treinamento dos professores para saberem lidar com a problemática. “Daqui tem que sair propostas que elevem a autoestima dos jovens, o bullying ataca, na maioria das vezes, as características físicas das pessoas”.

Dentre as propostas que foram aprovadas e possivelmente farão parte do documento constam: Que haja campanha governamental como a do Setembro Amarelo em que se estabeleça um mês como período simbólico do enfrentamento da questão do bullying e propagação da cultura da paz; Fortalecimento da rede de proteção das crianças e adolescentes para prevenir e enfrentar os atos de bullying praticados na escola; Estabelecimento de políticas públicas que valorizem a diversidade a pluralidade e a diversidade tanto física, étnica, de gênero, padrões de beleza, para que as pessoas possam reconhecer e aceitar as suas características.