Livro “As mulheres Abayomi” e projeto Passaporte da Leitura são lançados na EM Sóror Joana Angélica

21 de maio de 2019 - Jornalismo

“Encontro feliz e preciso”. Um dos significados atribuídos ao nome Abayomi traduz bem o que representou o lançamento do livro “As mulheres Abayomi”, do escritor baiano Adilson Passos, realizado na Escola Municipal Sóror Joana Angélica, localizada no bairro de Nazaré (GRE Centro). O evento ocorreu na terça (20) em dois horários distintos: às 10h e às 15h, para os alunos do 4º ano e 5º ano do Ensino Fundamental I.

Idealizado por Gleicecléia Alves, professora regente do 5º ano, a ação faz parte do projeto criado por ela, intitulado “Representatividade Negra”, que ocorre através de vários eixos, como leitura, confecção das bonecas abayomis, dentre outras. De acordo com Gleicecléia, as atividades ocorrem na escola desde 2015. “Fazemos esse projeto com base na lei 10.639/03, alterada pela lei 11.645/08. Já tivemos três lançamentos de livros e esse é o terceiro escritor que vem nos prestigiar. Vivenciamos tantos elementos da cultura africana, que sentíamos a necessidade de aprofundarmos o conhecimento sobre a nossa história e de trazer isso para o nosso dia a dia. Muitas vezes associamos esse trabalho às datas comemorativas, mas sem nos limitar a isso. Até conseguirmos naturalizar a vivência e a cosmovisão africana dentro da escola”, explica.

Símbolo de resistência, tradição e poder feminino‎, as bonecas Abayomi contribuem para o reconhecimento da identidade negra, sendo um referencial positivo para o imaginário do universo infantil. O livro fala sobre igualdade de direitos e deveres, respeito e amor fraterno, pontuando a força guerreira criativa das mulheres como elemento de transformação.

Durante o lançamento, o autor do livro, Adilson Passos, que é designer, formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, explicou que o livro foi apresentado como trabalho de conclusão de curso. “Além de ser um livro infantil e ter todo um projeto de designer, o livro foi pensado como uma contribuição social, colocando as mulheres em pé de igualdade com os homens, sendo protagonistas da história que é contada no livro. Além disso, traz a história das bonecas Abayomis, o que contribui para enaltecer a nossa cultura afro”, enfatiza. A história foi apresentada para os alunos do 4º e 5º ano, que também puderam interagir e tirar dúvidas sobre a história e o autor.

Em yorubá, a palavra Abayomi significa, além de “encontro feliz e preciso”, “aquele que traz felicidade ou alegria”. As bonecas Abayomis, feitas de retalhos de pano e confeccionadas sem cola e sem costura, apenas com nós e amarrações foram criadas para acalentar as crianças durante as terríveis viagens a bordo dos navios que transportavam os negros da África para serem escravizados no Brasil. As bonecas também serviam como amuleto de proteção. Como parte do projeto, os alunos do 1º ano da Escola Municipal Sóror Joana Angélica, participaram de uma oficina e confeccionaram suas próprias bonecas. Além disso, após o lançamento do livro, o autor sorteou livros para os alunos e um acervo foi disponibilizado para uso pedagógico na instituição.

Projeto Passaporte da Leitura – Durante o lançamento do livro, o diretor da instituição, Alexsandro Palma, apresentou o projeto “Passaporte da Leitura”, que visa incentivar a leitura entre todos os alunos da instituição. “Algumas escolas do país já produzem esse material, que é a réplica de um passaporte, no qual o aluno preenche com informações sobre os livros que ele já tiver lido, ou viajado, como a gente diz. A partir daí, ele vai construir um pequeno texto, falando sobre o livro que leu e sinalizando se curtiu ou não. Feito isso, ele recebe o carimbo de viagem concluída”.

E não para por aí. Ao final do ano letivo, o estudante ainda pode ser premiado. “A cada cinco páginas devidamente preenchidas e com carimbo, o aluno ganha um carimbo maior, indicando que ele tem o “hábito leitor” e em dezembro, aquele que tiver lido mais exemplares, vai ganhar uma caixa de som portátil, como premiação”, finaliza o diretor.

Fotos: André Carvalho/Smed/PMS