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Mostra Pedagógica apresenta história do descobrimento do Brasil no Cmei Jardim Brasília

08 de out de 2019 - Jornalismo

Permitir a reflexão sobre identidade e suas singularidades. Esse foi o principal objetivo da Mostra Pedagógica realizada nesta sexta-feira (4) no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Jardim Brasilia, no bairro de Pernambués (GRE Cabula). Intitulado como “Nosso povo, nossa gente”, o projeto visa proporcionar o desenvolvimento de um olhar especial para os saberes e vivências culturais, históricas e geográficas dos povos formadores da nossa identidade.

A gestora da unidade de ensino, Selma Rodrigues Muti, explica que o projeto surgiu da necessidade de conhecer os anseios da comunidade local. “O Cmei é relativamente novo, e por isso, a partir do segundo ano de existência, começamos a perceber que tipo de projeto seria interessante para as crianças do bairro e, principalmente, como ela poderia se reconhecer. A partir daí, entendemos que a educação infantil também pode trabalhar com temáticas que abordam a cultura afro-indígena, tirando essa forma exótica e estereotipada que as duas culturas são vistas”, destaca.

Ainda de acordo com a diretora, antes mesmo de trabalhar o projeto com os alunos, foi necessário quebrar os paradigmas dos próprios docentes. “Desde 2018, realizamos uma série de ações já que a questão religiosa acaba, muitas vezes, sendo uma barreira para avançarmos no processo educacional. O projeto começou com essas desconstruções sobre essas etnias e a forma como nos vemos, principalmente junto aos professores, que em seguida, ajudaram a definir o que seria trabalhado em sala de aula. Ele foi tecido a varias mãos”, sinaliza.

A unidade de ensino atende a crianças de 3, 4 e 5 anos, nos turnos matutino e vespertino e tudo que foi exposto na mostra pelos corredores da escola foi trabalhado ao longo do ano junto com a criança em sala de aula. Eles produziram réplicas de brinquedos afro-indígenas como pião e peteca, confeccionaram cocar de índio, instrumentos musicais, bonecas abayomis, e réplicas de cestas, peneiras e alimentos dessas etnias, adornos indígenas, dentre outros.

Na culminância da Mostra Pedagógica, tendo uma peça de teatro sobre a história do Descobrimento do Brasil como pano de fundo encenada pelos próprios funcionários da unidade de ensino, cada turma fez uma apresentação de dança dos povos afro-indígenas, como maculelê, em algumas utilizaram instrumentos musicais produzidos por eles, como chocalhos e tambores, e houve rodas de capoeira e samba de roda. Tudo isso sob o olhar atento e curioso dos familiares, que fizeram questão de registrar a participação das crianças.

Avó da aluna Mirele Almeida dos Santos, Dona Maria Silva dos Santos, de 59 anos, elogiou a iniciativa da escola “Eu acho lindo e muito interessante sempre, mas esse ano foi ainda melhor. As pessoas que trabalham aqui são muito inteligentes, educadas e admiro a paciência com todos. Gostei da peça porque eu não sabia tanta coisa e passei a saber mais sobre a história da gente”. O pai da aluna, Tiago Jose dos Santos, de 27 anos, se disse impressionado com os trabalhos produzidos pelos alunos e com as discussões propostas. “Fiquei contente em ver os trabalhos deles que são verdadeiras obras de arte feitas durante o ano. Fico grato às professores que cuidam dos nossos filhos e ensinam sobre nossa identidade, quebrando um monte de preconceitos que, infelizmente, minha filha vai ter que lidar ao longo da vida. Com esses trabalhos, acredito que as crianças vão crescendo sabendo a importância do amor ao próximo”, considera.

A própria aluna, Mirele Almeida dos Santos, de 5 anos, resume: “Aprendi muito e adorei me apresentar pra todo mundo. O melhor de tudo foi ver minha família aqui vendo tudo que a gente fez durante o ano. Foi tudo muito especial e divertido”. Ao final da apresentação, os alunos e os demais presentes cantaram a música “Normal é ser diferente”, do grupo Grandes Pequeninos.