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Talentos da Escola: Professor José Paranhos mostra aos alunos novas perspectivas com aulas de vôlei no Subúrbio 360

09 de ago de 2018 - Jornalismo

JOSÉ PARANHOS, de 37 anos, é professor de educação física da Rede Municipal de Ensino de Salvador. Paranhos, como é conhecido na comunidade escolar, é formado na área desde 2004 e escolheu a profissão pelo amor que já tinha, desde a adolescência, pelo voleibol. Em entrevista à Rádio Educação Salvador – projeto da Secretaria Municipal de Educação (Smed) desenvolvido na Escolab do Subúrbio 360, o professor falou sobre sua trajetória e demonstra por suas aulas são das mais concorridas. Confira:

Fale um pouco sobre o início da sua trajetória. Dentro de todo o curso de educação física na faculdade, eu procurei me especializar em vôlei e nas áreas afins, já que desde sempre fui um apaixonado por este esporte. Sou técnico de seleção baiana desde 2004, já trabalhei no Esporte Clube Bahia, já trabalhei em faculdades particulares, já tenho alguns títulos nacionais, estagiei com a seleção brasileira de base por três anos, via Federação Baiana de Futebol e sou técnico referência na Confederação Brasileira de Voleibol. Vim parar aqui no Subúrbio 360 e na Escolab para desenvolver um projeto de vôlei também. Agora tenho mais um filho, que é a Liga Movimento de Voleibol, em Lauro de Freitas, mas que está caminhando para Salvador, através da Secretaria Municipal de Educação (Smed).

Como se tornou professor do Subúrbio 360? É até engraçado falar isso, mas eu já era professor da Rede e um, belo dia, estava jantando, quando vi uma propaganda da Prefeitura falando sobre o Subúrbio 360 e fiquei encantado com a possibilidade de levar o voleibol para a comunidade carente, de trabalhar com crianças em situação de risco e mudar a realidade delas através do esporte. Meu sonho sempre foi esse, tanto que eu consegui finalmente montar uma liga paralela ao meu trabalho na Rede, que é a liga Movimento, que tem essa proposta de trabalhar com crianças em situação de risco. Como já era professor da casa, vi no Subúrbio 360 essa possibilidade. Comecei a ligar para um monte de gente, fui à Secretaria Municipal de Educação para tentar me inserir no quadro de professores. Foi aí que conheci a professora Celma Vitória, diretora da instituição, que abraçou a ideia e me trouxe pra cá. Hoje a gente consegue atender a população do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Fale um pouco sobre os projetos que realiza no Subúrbio 360. No diurno, eu sou professor da Escolab e trouxe uma proposta de iniciação desportiva. É de conhecimento que a faixa etária de seis a 12 anos é o período da fase motora da criança. É como se o HD estivesse livre e aberto para captar o máximo de informações possível. Então, nos períodos da manhã e da tarde, temos esse trabalho com todos os alunos que são matriculados na Escolab. Já no período da noite, eu atendo a comunidade. Então, eu atendo crianças de seis a 12 anos, além de membros da comunidade, entre jovens e adultos de até 60 anos de idade, basta que sejam interessados no voleibol. Trabalhamos tanto de maneira lúdica como de maneira competitiva com outras turmas, com alunos que já são adolescentes, já tiveram alguma vivência com o esporte, querem participar de alguma competição e se tornar atletas.

Como foi a receptividade dos alunos e da comunidade? Eu acredito muito que, quando a gente tem amor por alguma coisa, a tendência é dar certo, o universo conspira. Como cheguei aqui com o coração aberto para trabalhar com todos, com a vontade de ir além do trivial, eu já sentia que ia dar certo . Temos hoje um grupo muito bacana de adultos, pais e famílias que fazem questão de chegar no horário ou antes. Tive uma lombalgia um dia, não pude vir trabalhar, e foi aí que senti esse interesse, pois todos me ligavam para saber como eu estava, querendo estar aqui. Eu me dei conta do quanto é importante pra eles estarem aqui. E aqui é igual a coração de mãe: sempre cabe mais um, querendo, é só chegar.

Muita gente ainda não se dá conta dos benefícios que uma atividade física como o vôlei pode trazer para uma criança nessa faixa etária, de seis a 12 anos, e também na fase adulta. Na parte fisiológica, temos melhorias na pressão arterial, frequência cardíaca, ganho de tônus muscular, dentre outras. Se formos falar sobre os benefícios coordenativos, temos melhora de lateralidade, de tonicidade, equilíbrio, motricidade global, motricidade fina, escrita, leitura, melhora de sinapse nervosa, já que nosso cérebro funciona através das ligações nervosas. Enfim, através do esporte a gente tem um ganho educacional muito grande, de aprendizagem e concentração. E se a gente levar para o aspecto atitudinal, há um ganho de respeito às regras, aos colegas, aos seus limites, o aprendizado do convívio em comunidade, o que é extremamente importante para a inserção do indivíduo. Os alunos aprendem a se respeitar, independentemente da cor da pele, religião, gênero ou qualquer outra diferença. O vôlei é uma atividade coletiva, já que é impossível jogar voleibol sozinho, pois esta é uma modalidade que a gente depende do outro o tempo inteiro. Assim é a vida: ninguém consegue viver sendo uma ilha e aqui, todo mundo joga com todo mundo. E isso é muito importante no desenvolvimento da criança: a gente auxiliar a criança para que ela se torne um cidadão tolerante, respeitador e de bem, que é o que anda em falta na sociedade atualmente.

Como os pais podem incentivar as crianças a fazerem atividade física, principalmente as mais tímidas? Normalmente, a gente gosta do que a gente sabe. Tudo aquilo que a gente não conhece ou que não sabemos a gente tende a não querer fazer por medo de errar, de ser criticado. Isso também vem de uma herança de muitas vezes a educação física ser exclusiva e não inclusiva, onde só os mais preparados podem jogar. O que eu trago para os pais e para os meus alunos é o seguinte: já fizeram aula com Paranhos? Então venham fazer, que não vão se arrepender, porque acabam se apaixonando pelo esporte ao perceber que como ninguém nasce andando, assim é no voleibol. Vamos ensinando etapa por etapa e assim as pessoas vão se motivando, superando seus limites. O que eu procuro nas aulas é criar dificuldades que eu sei que serão superadas pela criança para motivar ela. Então, pais, tragam esses meninos para minha aula porque o tempo irá se encarregar de tudo. Eu não admito o “não consigo” e digo sempre aos meus alunos: somos do tamanho dos nossos sonhos. O ser humano pode tudo e a criança pode mais ainda.

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