V Seminário Educação das Mulheres Surdas discute sobre a acessibilidade da comunicação

20 de ago de 2019 - Jornalismo

Com a proposta de provocar o debate focado nas possibilidades e desafios enfrentados pelas mulheres surdas na atualidade, foi realizado nos dias 15 e 16 de agosto, no auditório da Faculdade de Direito da UFBA, o V Seminário Educação das Mulheres Surdas. Uma iniciativa da Associação Educacional Sons do Silêncio (Aesos), instituição parceira da Secretaria Municipal da Educação (Smed), que há 19 anos trabalha com a qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho e oferta o Atendimento Educacional Especializado aos alunos da Rede Municipal.

De acordo com a Coordenadora de Inclusão Educacional e Transversalidade da Smed, Jaqueline Araújo, que representou no evento o secretário Bruno Barral, o seminário teve como público alvo os profissionais da educação, no intuito de fortalecer a cultura da pessoa surda nas escolas da Rede Municipal de Salvador. “O objetivo é sensibilizar e mobilizar os profissionais de educação para incluir todo e qualquer aluno, não apenas surdo, que é o foco desse evento. É importante que se perceba a inclusão da pessoa com deficiência de forma mais acolhedora, mais responsável do ponto de vista de cidadania e que isso seja levado para a prática em sala de aula”, destacou.

Segundo Jaqueline, atualmente a Rede Municipal tem quase 200 alunos com surdez ou deficiência auditiva declarada no sistema de matrícula. “No contra turno os alunos são atendidos na Aesos, onde aprendem a Libras como língua Mater e o português como segunda língua. Desde abril, todos os estudantes da rede municipal que fazem uso da Libras tem um intérprete em sala de aula. O intérprete é um mediador da comunicação entre professor e aluno, além de organizar os conteúdos da aula juntos, considerando a necessidade do aluno surdo, mas que ele esteja inserido no contexto da turma”, explica.

Conforme a presidente da Aesos, Carla Suzana Menezes Franca, a surdez é uma das deficiências que passa mais despercebida, e que traz muitos entraves na questão da educação. “Sabemos que temos uma dívida imensa com o surdo em nosso país como um todo, principalmente em nosso estado. Este é o momento para tratarmos de temas extremamente importantes como os direitos e políticas para mulher surda, levantar a discussão sobre a invisibilidade da pessoa surda dentro da educação de bases curriculares comuns. Nosso país é muito rico em legislação, mas na aplicabilidade é falha. Precisamos avançar!”, afirma.

Para a diretora da Aesos, Marcia Maria Lemos, as mulheres surdas vivem as mesmas problemáticas de violência de muitas mulheres, com um agravante, que é a falta de acessibilidade da comunicação. “Precisamos de políticas voltadas para este público. O ideal seria que pudéssemos assegurar a acessibilidade das pessoas com deficiência, que nesse caso se dá através da comunicação em Libras. Precisamos também que a população brasileira entenda que esse público existe, trabalha, paga impostos e a Libras é a segunda língua oficial no país”, concluiu.

Fotos: André Carvalho/Smed/PMS